Paulo Mercadante: Ciência, Filosofia e Direito

A condição da virtualidade no debate sobre espaço-tempo

Posted in Ciência, Filosofia by pmercadante on 21/06/2009

Paulo Mercadante

Espaço-tempo é a miragem
que racionaliza nossa percepção.

I

Na atual perplexidade com relação à física, considerando as constatações relativas à natureza expansiva do big-bang, suponho que, quando só se recorre às ciências puras, reduzindo-se a abordagem filosófica, se peca pela omissão intelectual. Necessário, pois, acompanhar de perto as pesquisas recentes, ousando manifestar o dom intuitivo.

Em princípio cumpre lembrar que as chamadas racionalidades científicas de tempos em tempos se refazem, sem perda de consideração aos pressupostos que se descartam. O novo sempre emerge por razões de descobertas no universo e avanços da aplicação matemática.

A primeira racionalidade – o senso comum – precedeu a tudo. A principal, a causalidade, permanece em aberto, restringindo, na formulação platônica (tudo o que começa a ser exige uma causa) o princípio daquilo que começa a ser. [1] (Coerência em seu conceito de espaço: matriz universal para receber as formas ideais dos corpos.) Etéreo, como supunha Nicolau de Cusa, absoluto, na esfera divina, segundo Newton. Tudo se simplifica com a percepção intuitiva de Locke e Hume. Talvez a síntese esteja em Kant, o elo entre ciência e filosofia, “a forma pura a priori dos sentidos externos”.

De tudo resulta a distinção entre o espaço geométrico e o de representação, segundo Poincaré. Por último, a idéia neopositivista de que o espaço seja um símbolo.

Do ponto de vista da ciência pura, cumpre partir de Riemann, cuja concepção de espaço curvo aplicou Einstein na teoria da relatividade generalizada. Porém visando ao nosso universo observável, do ângulo finitista. Posteriormente os infinitistas, já no decênio de trinta, partiram para a concepção de que o espaço é cósmico e aberto, rejeitando a idéia de que é curvo e fechado sobre si mesmo.

Tornava-se inconcebível à nossa inteligência a hipótese do infinito real, mas atualmente com as possibilidades da inteligência artificial, sob nosso comando, o tema deve ser posto sob nova apreciação.

Outras questões estão em aberto: o determinismo, o espaço, a simetria da natureza, inclusivamente o problema do tempo; este, porque na concepção galileana, constitui o ponto de partida da ciência ocidental. Dessa forma, incorporou-se na dinâmica clássica de Newton, alcançando a relatividade e a física quântica. Hoje, ainda para muitos especialistas, há verdadeira profissão de fé no sentido de que, ao nível da descrição fundamental da natureza, não existe a flecha do tempo. [2]

Já no Oitocentos, durante o surto evolucionista, dera-se o intervir de Ludwig Boltzmann ao identificar o paradoxo do tempo, ressaltando-se a contradição entre as leis newtonianas baseadas na equivalência entre passado e futuro.

Foi inevitável a surpresa, se levarmos em conta de que toda a tentativa de conferir um sentido à flecha do tempo viera como ameaça ao ideal da equivalência. Posteriormente numerosos cientistas consideraram a mecânica quântica (no domínio da microfísica) como formulação definitiva, do mesmo modo que os colegas anteriores a Boltzmann a tinham como a de Newton.

Atualmente o desenvolvimento da física de não-equilíbrio e dos sistemas dinâmicos instáveis associados à teoria do caos perturba sobremodo a reflexão científica. A primeira, relativa aos processos de não-equilíbrio, conduziu-a a conceitos outros que investigam os dissipativos, caracterizados por um tempo unidirecional, que confere nova significação à irreversibilidade.

Lembremos nesta altura que a flecha do tempo passara a ser outra coisa, (anteriormente associada a processos mais simples, como difusão, viscosidade, compreensíveis pela ajuda de leis da dinâmica) razão por que foi relegada ao domínio da fenomenologia. A nós, mortais, só caberia avaliar a diferença entre o passado e o futuro.

Agora, a irreversibilidade não só aparece nos fenômenos simples, mas com a pletora de outros, como a formação de turbilhões, de oscilações químicas e radiações de laser. Enfim todos eles ilustram o papel construtivo fundamental da flecha do tempo.

Temos ainda os sistemas dinâmicos instáveis, que nos conduzem à extensão da dinâmica clássica e à física quântica. Por conseguinte, há uma formulação surpreendente das leis, que quebram a simetria entre o passado e o futuro, passando a envolver a quântica e a relatividade. A clássica exibia-se onipotente, segura, adotava a causalidade e desde que lhe dessem condições apropriadas, garantia previsibilidade do futuro e de retroceder ao passado. A nova, doravante, exprime possibilidades.

Quanto ao problema do tempo, há dois aspectos. O primeiro é o papel atribuído ao observador na teoria quântica, ao tornar-se ele, diante do paradoxo, responsável pela ruptura da simetria temporal observada na natureza. Acresce a circunstância de ser essa personagem responsável pelo fundamental aspecto do sistema, ou seja, da redução da função da onda. Segundo a interpretação usual, a medida corresponde à ruptura da simetria temporal. Em contrapartida, a introdução da instabilidade na teoria quântica leva à ruptura da simetria do tempo.

Eis os pontos definidos pelos matemáticos, pelos físicos como as fronteiras do nosso conhecimento, circunstância que dá ensejo à filosofia de intrometer-se no assunto, sem pretensões nem arrogância. Nas frestas das possibilidades conceituais, não só a conjetura quanto outros meios devem apresentar-se durante os ciclos.

A questão do tempo e do determinismo não está limitada às ciências, e sim, desde a era pré-socrática, é constante nas cabeças humanas.

Nisso consistiu o primeiro passo, no início do Novecentos, quando Henri Bergson expôs a sua doutrina que, paralelamente à teoria de Einstein, estabeleceu a relação transcendental que preocupava os espíritos.

Os dois pensadores, respectivamente em seus campos, partiram de conceitos teóricos que não entravam em colisão.

Bergson admitiu que o tempo expresso em termos de espaço, medido, dividido, subdividido era apenas um aspecto superficial, artificialmente construído por nossa inteligência. A verdadeira essência do tempo é de natureza qualitativa, definia a apreensão imediata e intuitiva de eterno fluir ou de algo que dura dentro e fora de nós.[3]

No mesmo sentido, em pesquisa independente, William James chegaria ao mesmo resultado Três anos apenas de diferença separavam os dois pensadores em suas divulgações.[4]

Porém viam os dois o núcleo de nossa motivação, o de sempre girarmos em torno do antropomorfismo, do interesse em investigar a nossa existência. Tal postura leva-nos, os mortais, a partir da existência do espaço-tempo, pois cada um seria como a morte, nossa tranqüila companheira da vida.

Em seguida, a relatividade sacudiu os alicerces da ciência com a idéia revolucionária do tempo, quarta dimensão do real, teoria que veio dar-lhe a mesma constante primazia sobre o espaço a que Bergson conferira no campo da filosofia. Dir-se-ía completarem-se os sistemas. Desse modo o tempo era identificado como um dos elementos básicos da estruturação do real e posto ao lado das três dimensões do espaço euclidiano.

Assim evolveu a suposição, tanto científica quanto filosófica, de que espaço-tempo existia como tempo e existência. Einstein formulava em sua linguagem o paradoxo da presença essencial do espaço-tempo, por nós imaginados separadamente, como entidades singulares de nosso universo.

A matéria e a energia dizem respeito a nosso universo observável, nele também nos estruturando; em seu plano, movimentam-se: a primeira, a massa, acessível aos nossos sentidos, a segunda, a energia, tanto potencial quanto cinética.

A questão consiste em que a matéria, a massa que a constitui, tanto em seu movimento ou em seu repouso relativo, quanto a energia, ignoram o suposto tempo, cujo existir é mero produto de nossa subjetividade. Ilusão, como admitiu Einstein, imaginação, como supunha Bergson.

Mas não é preciso admitir as entidades para que o nada seja percorrido pela matéria e pela energia.

Visto haver identificação da massa ao movimento. A equação de Einstein consagrou a equivalência entre massa e energia. Energia é vibração, é atividade, enfim movimento, havendo significação dupla; uma delas, a essência das substâncias materiais está em função do movimento. À medida que rasgam elas o nada, em razão do movimento, o tempo é como essência da velocidade, integram-se, por conseguinte.

Toda atuação da matéria, ou seja, de sua massa, decorre de circunstâncias de autonomia, Ela, matéria, advém de sua qualidade de existir, de ser.

A virtualidade do espaço é necessariamente o meio de que dispomos para entender a ação dos corpos, a termodinâmica de suas massas, sendo o tempo, do mesmo modo, extraído de nosso ser como o recurso de que lançamos mão para tornar a nossa existência vinculada ao óbvio do movimento dos corpos e à ação da energia. A palavra deve ser tomada como condição de virtual, ou seja, da mesma forma que o tempo, que existe como faculdade, sem concretitude, sem exercício ou efeito.

Dessa contingência advém a reflexão heideggeriana de que existência e tempo se tecem em nossa subjetividade a fim de formar-se um só tecido. Um tempo, enfim, fictício, mera transpiração de nosso fim fatalizado, em razão de causas inerentes ao planeta. Da mesma forma que ocorre com a velocidade em face da energia, a primeira, derivada em relação à virtualidade do tempo, a segunda, mera capacidade de um sistema material destinado a produzir trabalho.

Considerado o ponto e vista da não existência de tempo, a não ser como extensão intuitiva do ser, surgem os fenômenos físico-químicos em razão dos processos inerentes à massa e energia que ocorrem no vazio chamado espaço.

A partir da convicção de que a ciência tenta obter de suas razões a resposta para a obstinação de idealizar o papel de duas entidades não existentes, suprimindo o senso comum do pressuposto do nada, só nos resta passar em revista o malogro de encontrar-se evidência em alguma equação que confirme o propósito visado.

Nisto consiste o exame preliminar da abordagem, efetuado em seus fundamentos.

Como a onda do elétron, negar e afirmar são complementares no aspecto de ser e não ser, a questão é basicamente filosofica, e não querer discutir a pergunta de Leibniz – por que há o ser e antes o nada? – cria a certeza-incerteza, sem superar a dicotomia. Motivo por que a solução existencial é antes imaginária do que científica.

A validade de nossa crença só se apóia na vontade de nos afastarmos da frustração de existirmos limitadamente em um espaço da massa, preso a um solo pela força da gravidade. O fato, em verdade, de existirmos no nada seria incompreensível à nossa certeza existencial. Razão por que fingimos ignorar a trajetória solar a que estamos engajados, em direção à outra constelação.

Não há outro caminho senão socorrer-se das equações probabilísticas para compreender de que à matéria e à energia não são necessárias as entidades do tempo e do espaço como existentes e sim de um simples valor para uso humano dos cálculos. Qualquer que seja a utilização delas, as de Bose-Einstein, a de Fermi-Dirac e mesmo a mais antiga, de Boltzmann, baseiam-se nas junções de nossa inquietação intelectual com a nossa existência real no universo de suposições. Sim, porque nele existimos como energia de nossa perceptível massa em relação à ilusória crença no espaço-tempo.

Na física de Newton, prevalecia Boltzman. Posteriormente, na quântica, já inspirada no princípio da indeterminação, as particularidades das partículas dependem da função que desempenham no conjunto e as coordenadas que indicam o seu impulso e posição obtêm-se a cada instante por critérios distintos, conforme o tipo da partícula.

Tudo diz respeito a elementos da natureza.Tudo refere a convenções de linguagem matemática. No meado do século XX, já predominante a teoria da dualidade onda-partícula, definidas as particularidades da matéria e energia como interações, o estudo transferiu-se para a análise tensorial relativista em função do conceito de spinor, fixado por Dirac com a utilização da nova técnica das matrizes.

O mesmo quanto a Planck: a alternativa quântica E=kv – onde E é o quantum de energia medido, v, a velocidade da emissão e k, a constante universal.

O caráter é quantitativo, traduzindo-se pela verificação experimental de que toda a trocas de energia entre a matéria e as irradiações eletromagnéticas operam-se de maneira descontinua. Todas as particularidades dizem respeito à energia.

A intromissão do fator medida de tempo, tanto no sistema CGS, quanto no MKS, decorre da circunstância de ser ele dirigido ao nosso universo em expansão. Considerar as galáxias conhecidas – e mesmo o ponto de onde eclodiram – como de todo o universo observável não explica o nada denominado cosmo. O átomo primitivo de Lemaitre, explosão e conseqüente expansão, constituem um átomo apenas que se dilata. Simplesmente porque a explosão é energia, sem relação alguma ao imaginário humano. A futura retração será o reconhecimento do nada no universo observável

A temporalização decorreria do big-bang no instante do explodir. Alguns pontos do vazio específico são percorridos pelas entidades matéria e energia, que virtualmente se espacializam e temporalizam-se. O resto são cálculos humanos de percurso.

A porção ínfima do vazio tornou-se percorrível por invasões sem perder o nada da sua condição às aventuras da massa e da energia.

Em nossos dias, Stephen Hawking introduziu um tempo imaginário, que pode ser o tempo real, já que a fórmula, dando o intervalo de Lorenz, torna-se simétrica. Aí está quase negada a realidade do tempo, sendo o universo descrito como uma estrutura eterna.

No pressuposto da fórmula t=it foi introduzido o tempo imaginário. As quatro dimensões entrando no intervalo espaço-temporal são então espacializadas.[5]

De certo modo, concebe-se o que Schrödinger supusera com a presença do observador no modelo probabilístico. Neste último caso, trata-se do modelo que está na raiz da estrutura dualista da teoria quântica: de um lado, uma equação de base, determinista e reversível; do outro, sua redução, irreversível, que permite predizer em termos de probabilidades os resultados previsíveis de nossas medidas.[6] Noutro lance de sua equação memorável, em parte fundamental no que tange às propriedades quânticas, admitiu, sob forma simbólica, a não dependência do tempo da energia potencial (U).

Prigogine e Stengers observam a respeito que a conseqüência desta estrutura “é que a mecânica quântica parece conferir o papel essencial ao ato do observador que, por meio de nossas medidas, introduz as probabilidades e a irreversibilidade em um mundo que, sem nós, seria determinista e reversível”. [7]

Dir-se-iam locais as aplicações probabilísticas. Espaço e tempo seriam para esse micro universo conhecido, ainda de ignorada perspectiva de expansão, como duas necessidades imaginárias decorrentes das nossas relações com o universo observável, agravadas de terem partido de seres falíveis os pontos essenciais de todo o sistema.

Minkowski definiu o nosso intervalo espaço-tempo, como expressivo exemplo do caráter eminentemente relacional da invariância matemática. Subentenda-se a matemática como uma das criações essenciais do homem.Todavia, como forma de conhecimento, ela pressupões a crítica transcendental do seu objeto categorial e método. Isso quer dizer que espaço-tempo não deve fugir de abordagem mais ampla.[8]

Porém, tratando-se de formulação matemática, aplicada às circunstâncias de fração de tempo, uma vez considerado todo o infinito do vazio, há que classificá-la de micro situação historicamente relativa. Com isso quer-se dizer que daqui a um milhão de anos nenhum dos conceitos atuais estará de pé.

Independentemente da explosão, há o cosmo que subentende o infinito, pois, por mais que se prolongue a expansão conseqüente do big bang, o cosmo haveria de permanecer em sua existência infinita. O infinito confunde-se com o cosmo ou universo não observável; nele o tempo poderá ser imaginado em termos iguais ou diversos do tempo de nosso universo, caso outra explosão ocorra por razões correspondentes a específicas causas e possibilite a existência de outros seres inteligentes. Seres racionais que porventura apareçam, após se ajustarem às condições espaciais, serão motivados em função dos interesses de descobrirem-se as probabilidades de duração determinadas pelos corpos, pela gravidade, enfim, por todas as causas oriundas da massa e energia.

O tempo só cessaria de existir como virtualidade se a matéria e a energia se esgotassem em todo o suposto infinito ou em todo cosmo não observável, não cessando, porém, de existir na hipótese de que, alterando-se as condições dos processos de não equilíbrio, voltassem (matéria e energia) a concentrar-se até a possibilidade de novas explosões.

A questão que a física põe hoje no quadro negro é a pergunta: o tempo tem uma origem definida ou é eterno? É-nos compreensível que o entendimento no caso parta de sua virtualidade, ou seja, significando condição de existência em estado potencial, sem corresponder a qualquer realidade existente.

Ao defrontar-se com a versão do infinito ou do cosmo, como é possível defini-los, temporalizando-os, pois seria inaceitável admitir que a entidade mensurável do tempo possa existir no vazio absoluto ou cosmo absolutamente sem massa e energia.

O espaço-tempo, a concepção complementarizada, estilo onda partícula, ou seja, por duas entidades, não teria fundamento, visto tratar-se de algo a existir no vazio ou no nada. Como concebê-los sem as equações, sem a matéria e a energia? Na hipótese de fazê-lo em nosso universo, recorrendo às dimensões convencionais e, sobretudo, à linguagem elaborada por formações comprometidas e existencializadas in fieri, tratar-se-á de histórica simulação que em si nada acrescenta à verdade e tão apenas à necessidade existencial de nossas frustrações.

A não ser por exercício de antropomorfismo, poderíamos considerar como extraordinária a criação, assim tida por muitos físicos a explosão ou big bang, com tanta importância como fizeram os cientistas Paul Davies e John Wheeler. O Homem ainda verá imagens tardias de milhões de explosões criadoras no cosmo, aquando de avanços em sua tecnologia de telescópios levados por naves espaciais, e possivelmente um dia deverá detectar sinais diferentes de métodos probabilísticos ou concebê-los teoricamente, tentando definir as diferentes geometrias dos espaços em outros universos.

Talvez o átomo causador da nossa explosão tenha sido o átomo peregrino, vindo de outra explosão anterior, fato de rotina cósmica, considerando a infinidade deles no vazio a ser ocupado por energias supostamente eternas.

A hipótese conferiria lógica ao infinito como necessário a uma expansão também interminável das energias. Não se surpreendem hoje os físicos com o rumo crescente delas em nosso universo

Não é concebível a existência do infinito, do nada, sujeito a simetrias de naturezas inexistentes, aferíveis por fórmulas de seres mortais e de inteligências reprimidas. O tempo é mera ficção de situações excepcionais como o aparecimento do homem no teatro do cosmo.

O ponto de vista de Prigogine, conciliando duas teses, a teoria do estado estacionário de Bondi, Gold e Hoyle e o modelo padrão do big bang, aceita a figura de um pré-universo. Mero esforço de sustentar a existência do tempo absoluto, dividido em tempo potencial e tempo ativo, o que nos leva a uma indagação sobre o infinito, e qual o papel que desempenharia uma entidade que não seja originária de massa. Ora, a evidência do nada suprime a hipótese do infinito.

A existência de um tempo potencial teria de ser concebida a priori em meio a outras supostas possibilidades dos processos irreversíveis associados às instabilidades dinâmicas. Sempre seria presumir ao arrepio das certezas.

Do mesmo modo, supor ou conjeturar a respeito da massa, existente no cosmo não-observável, só seria admissível em nível infinito. A energia dela procedente seria eterna, atuante infinitamente na criação de novos universos como o nosso, o que faz crer que a vida, nela subentendida a energia inteligente, não encontraria os limites. Sem o imaginário do espaço-tempo, só resta, em verdade, a energia procedente da matéria cabendo-lhe assim no cosmo o único papel no desempenho real de uma entidade, sendo, portanto, a criadora, capaz da onipresença, única a atravessar o nada, a mudar a geometria de qualquer universo ou de criar outros, só estando limitada pela sua própria potência.

Por fim, espaço-tempo é meramente virtual, considerado sem exercício, sem função real senão aquela de não estar, por não existir, apto a impedir, de modo qualquer, a massa ou energia sempre dotadas de movimento. Sua existência virtual é meramente uma referência para nossa discutível percepção das coisas no planeta e no universo observável.


[1] Platão, Timeu, 28ª Do ponto de vista filosófico, a questão tornar-se-á complexa a partir de Leibniz e Kant, que, comentada, nos afastaria do tema da Comunicação.

[2] Prigogine, Ilya, La fin dès certitudes, Editions Odile Jacob,1996, p.10“Comment la flèche du temps pourrait-elle émerger d’un monde auquel la physique attribue une symétrie temporelle?”

[3] ) Bergson, Henri, L’Évolution Créatrice, Félix Alcan, 39ª edição, Paris, 1932.

[4] James, William, The Principles of Psychology, Dover Editions,New York, 2 vols. 1950. Do ponto de vista de Influência mais ampla, Bergson destaca-se pela presença mais profunda nas obras de Husserl e Heidegger.

[5] Stephen Hawking, Une Brève Histoire du temps, Paris, Flammarion, 1991.

[6] Gribbin, John, In Search of Schröding Cat, Bantam Books, London, 1988 p.115

[7] Prigogine e Stengers -Entre le Temps et l’Éternité, Champs, Flammarion, France, 1992, p.13)

[8] Mincowski apud Andrade, Almir, As Duas Faces do Tempo, Editora Universidade de São Paulo, 1971 p.83.

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