Paulo Mercadante: Ciência, Filosofia e Direito

O Infinito e a Imortalidade

Posted in Uncategorized by pmercadante on 27/06/2009

II

Não é necessário admitir que as duas entidades se liguem para abordagem filosófica. Outra circunstância discutível é a que considera dar ao infinito, enquanto tema, precedência à imortalidade. Os dois enigmas podem ser vistos sem a relação imaginada. Como se tratasse de assuntos  cuja correlação fosse antes subjetiva, ou seja, que derivasse de idênticas correlações metafísicas.

Talvez por terem merecido a mesma atenção no percurso da Filosofia, o juízo dos pensadores dirigiu-se a supostas coordenadas e por consequência à visão de correspondência entre ambas.

Não é cômodo fazer a escolha entre as duas a fim de iniciar a reflexão merecida, menos ainda de priorizar a abordagem matemática em detrimento da filosófica. Desde que haja peculiaridades iguais em jogo, elas poderiam cruzar-se durante várias apreciações, tanto a partir da primeira quanto da segunda.

Do ponto de vista existencial, tomando-as separadamente, o infinito nos parece mais descartável do que a  imortalidade. Pois frágil é a sua posssibilidade de existência, faltando-lhe o princípio, não se mostrando resultado de causa alguma, a não ser da necessidade de nosso espírito ou de nossa reflexão dele carecer para entendimento de determinada concepção universal.

O infinito não teve nascimento, não teve causa, apenas sentimos a linha estendida em nossa frente, porém nos dirigindo ao avanço de seta imaginável. Não a perdemos de vista porque a acompanhamos com o nossa admissão de seu movimento. Por não ser linha, por não ser segmento de pontos, a nossa mente fatiga-se de acompanhá-la por curto tempo. Ao voltarmos para a de busca qualquer causa que a tenha projetado  percebmos que o nosso movimento de 180º graus mais complicou o esforço de sentí-la chegando até nós, pois a idéia de vê-la em nosso sentido a fim de nos ultrapassar é expectativa de tão reduzida duração, que nos torna inconcebível. Quando retornamos a posição anterior, a idéia mais próxima à nossa percepção é aquela que traça seu direcionamento ao futuro, ao contrário do que a anterior, de que nos voltamos de costas em direção ao passado.

Se usarmos a série de números naturais, nada muda, a cada algarismo adiante damos o passo ao suposto futuro, se tentamos fazê-lo com relação à postura anterior, temos dois caminhos: o primeiro só conceber a possibilidade  confundindo-a com a primeira, na segunda somos forçados a admitir que, após uma parada, dirigimo-nos para trás, para o passado, acrrescendo-lhe o traço do menos ou subtração na contagem regressiva, a partir de nossa decisão de recuar.

Se abandonarmos a idéia da linha, considerando o leste ou oeste fictício, nosso espírito apenas retoma o mesmo princípio do ir e voltar, do futuro e do passado, e vê-se amputado das dimensões que o tornam senhores da percepção.

A impossibilidade da captação do possível projeto pelo espaço-tempo extrai os pressupostos de nossa inteligência, tornando a idéia do infinito inteiramente impossível.

O leitor percebeu que na abordagem do infinito, feita no sentido introdutório, pressupôs a questão do tempo e do movimento. A princípio, caberia o porque dessa circunstância. A razão era óbvia uma vez que pode o contínuo decompor-se em partes descontínuas e o descontínuo gerar o contínuo Outra situação derivada dos primeiros pontos da Física newtoniana reside em que grandezas finita e divisível em infinito número de partes, reunificdas, podem gerá-la outra vez. Por fim, a de que, tanto na abstração quanto na experiência, a estruturação do real manifesta-se como processo de unificação, alcançando-se o contínuo por meio do descontínuo.

O ponto de partida do conceito do movimento reside no problema da  duração e da velocidade média a fim de que se defina, no momento, a velocidade instantânea em coespondência com determinado número de instantes possíveis. Em síntese, trata-se de um processo de elaboração descontínua do contínuo. Exemplificando, numa corrida a cavalo, o animal percorre um quilômetro em quinze minutos desde que o número de suas cavalgadas seja de tantas. Há, por conseguinte, na disstância percorrida, o movimento que será composto pela sua energia convertida em velocidade aplicada. Isso quer dizer que os descontínuos somam-se formando um todo graças ao movimento.

Nesse ponto é preciso salientar que a física galilaico-newtoniana já estava embutida no processo quântico, descoberto três séculos após, quando se firmou o conceito de dualidade contínuo-descontínuo no sentido da onda-partícula, aplicada aos fenômenos da micro-física.

A partir da hipótese de existir no cosmo situações de absoluta ausência de massa, de energia e por consequência, de movimento, do nada  quando muito, por liberalidade filosófica, só podemos extrair a possibilidade do aparecimento de uma onda, concluindo que possa existir o nada relativo, aquele que foi surprerendido por milionésimo de energia, acompanhado de um milionésimo de tempo.

No universo, outra situação define-se: há energia, há movimento, por conseguinte, tempo. O tempo, mera virtualidade de tornar-se real em tempo que também sucumbirá no caminho do colapso da onda.

Sendo porém o nada simplesmente o que não existe, a conclusão seria aquela que atribuísse à sua condição de não existir a infinitude.

A partir, desse modo, do vazio, ou seja, do inexistente, a reflexão vai ao seu princípio, que também não existiu. Sua mera virtualidade cessa no instante em que a energia em seu movimento criou o espaço-tempo, instalando outra virtualidade, a vida, no conjunto, como consequência da locomotiva, a massa, que gera a energia, a qual provoca a existência do movimento.

Sem dúvida o instante da explosão inicial pressupõe a liberação da energia em condições de gerar o universo. Porém tudo isso, todo esse poder, pode ter sido a causa primeira.  Bilhões e bilhões produziram, bilhões e milhões de estrelas, em cada universo. Este é o teatro onde giram os planetas, os cometas, o incalculável número de raios de luzes, que corta o pedaço desconhecido do cosmo inexistente.

Talvez o começo tenha ocorrido em difíceis situações de conceber. Em salto qualitativo após ter chegado de outro plano, que não seria o anterior, porém do futuro quando já houvesse virtualidade qualquer de energia ter sido gerado e voltar à anterioridade.

O exemplo do neutrino é significativo. Sendo partícula elementar de massa nula, carga elétrica nula, ela é emitida em várias desintegrações, na beta, na dos mésons k, por exemplo. Sua condição de atuar alheia ao tempo, pressupõe sua mobilidade e sua versatilidade na realização de suas atuações.

Parece complementarizarem-se no espaço-tempo a hereditariedade e a imortalidade. Haveria, por conseguinte, em cada geração, o contributo do acervo diverso trazido pelo elemento partido de outra linha de sucessões, que se juntou ao  conjunto anterior. A sintese como resultado traria em sua memória as informações obtidas uma vez que de dois grupos de cromossomas fora ela gerada.

Fixemos nas raízes desse novo existencial o princípio do acaso, enquanto o acasalamento se formara por razões que não partiriam de pressuposto. O casal formara-se de dois rumos, não necessariamente dotados de idênticas informações e memória, como, por exemplo, na hipótese de serem irmãos.

A síntese ou nova criatura, ganharia em seu existencial duas classes hereditárias uma só imortalidade que na sucessão seguinte veria repetir-se em novo desdobramento.

Recuemos no espaço-tempo a imaginar o desempenho do sistema nervoso central, ou seja, de suas células singulares,  a seta do tempo no rumo ao ponto de indeterminado infinito, partida desde o instante que o homem tenha tomado, como natureza, consciência de si mesmo. Admitamos a evolução concluída quando da função apta a reconhecer a sua estrutura biológica. Em termos comuns: a identificação de seus movimentos com o meio ambiente, então entendida em conceito doself, também se fixando em si mesmo no pensamento e ação.

A partir dessa fração de tempo um tipo de ser humano identica-se como o sapiens e toda a sua estrutura fisiológica se ajusta ao novo pensamento.

Já nesse conceber reside o questionamento da teoria da evolução pelo semples fato de não ser inteligível o salto mental manifestar-se sem a correspondente transformação de todo o organismo físico em sua necessária interação não só em si mesma quanto em relação do novo ser, ou seja, ohomo sapiens.

Admitir o processo em outros termos seria exigir a sintonia de plano  químico ajustado à fisiologia, convertendo-se tal hipótese em mecanicismo tão sutil que foge à nossa inteligência o querer equacioná-lo.

Confessemos que é quase mágica a versão de Monod quanto à evolução dos seres vivos com a admissão de que os acontecimentos elementares iniciais que abrem o caminho para sistemas tão conservadores quanto são os humanos requerem condições fortuitas e sem nehuma relação com os efeitos que possam acarretar no funcionamento teleonômico. Recorrer-se à necessidade como a força instigadora.

Já o enigma do acaso de forma microscópica, torna de tal modo complexo o fenômeno que só por sí produz o mistério, quanto mais atrí-lo a suposta necessidade. Torná-los do ângulo da complementaridade seria nos transpormos para simplificação de duas estruturas diversas e complexas em esquema de materialismo mecanicista.

A hipótese contrária admite-se na escala dos propósitos finalísticos. A partir do acaso a necessidade adviria como novo tipo de função encontrando sua razão de ser eomo alguma das variáveis em potencial.

Temos de entender o problema para avançar na possibilidade do elo, trazido pela Física à ciência contemporânea, estabelecendo que as entidadeshereditariedade e imortalidade apresentam-se vinculadas à relatividade do espaço-tempo, sempre a depender da energia para retirá-lo da virtualidade à existência concreta.

É preciso crer no evolucionismo novecentista a fim de admitir que algum acidente do acaso possa ser mecânica e fielmente replicado e traduzido, isto é, ao mesmo tempo multiplicado e transposto para milhões ou bilhões de exemplares. A transição do reino do acaso passa assim ao da necessidade, das certezas mais implacáveis.

Rápido giro à taxa diferencial da reprodução a fim de que possamos lançar fora as simplificações da luta pela vida. Lamentável é, pois, que na concepção de tal hipótese se procurem o universo de bactérias e as quantidades fabulosoas de bilhões de células.

A ênfase que Linus Paulis empresta à diferença da corrente alpha da hemoglobina do gorila com a humana em duas substituições de um resíduo de ácido amino e ainda a diferença das correntes beta das humanas de apenas uma substituição, bem como à diferença da hemoglobina do cavalo à do homem com de cerca de 18 substituições por cadeia acrescenta à teoria da evolução das espécies um contributo adicional, mas não justifica a interação necessária a todo o processo qualitativo das transformações. Pág 777 General Quemistry

A realidade é que só a partir do desempenho das células cerebrais se pode cogitar de razões diferenciadoras entre a espécie animal e humana.

O up-grade obtido pelo tipo especial do gene, considerando a questão do ponto de vista memético, não se pode avaliar do ponto de vista de diferenças aritméticas, posto que a na hipótese neo-evolucionista, acrescentam-se fatores altamente quantitativos.

Mas o importante não seria fixar-se na idéia formadora do homo sapiens, porém tomá-lo como aquela figura que imediatamente trazido à existência, sem o acervo de informações e cultura identificadas em seusoftware autêntico, apenas portador ainda dos recursos para criá-lo, e sim tornar possível a sua realidade, tirando-o da virtualidade primeira.

Se expomos o tema de hereditariedade e imortalidade, é essencial que o do infinito seja afastado em razão de estar presente na convicção da imortalidade, e só a possibilidade da memória das existências passadas permanecerem atuantes no processo teleonômico, circunstância só viável enquanto houver existência de vida,  inaceitável em caso do colapso da onda.

Ocorrendo a morte sem a sucessão, a imortalidade converte-se no residual em existências vizinhas ou contemporâneas, só inteligível em fenômenos resultantes das relações da consciência do ser vivo com a realidade do passado. Pemita o leitor exemplo elementar. Se A manteve uma relação marcante com B, seja de ódio ou amor, em hipótese de morte de B sem sucessor hereditário, o sentimento vivido entre os dois só permanece integrado nos memes de sucessores de A.

Assim se torna impossível ligarem-se as reações em termos de infinito e tão somente finito, ou seja, integrado naquele que as possa transmitir aos descendentes. O fenômeno da imortalidade torna-se, desse modo, inerente aos genes cerebrais só eles capazes de armazenar e transmitir por via de símbolos e sentimentos o que foi tecido na  existência.de A.

O significado do infinito nessa problemática torna-se de dificil aferição desde que, partindo do infinito matemático, não podemos fugir à questão das grandezas finitas e  das séries infinitas dos números reais.

Ao expôr que o infinito grande e o infinitamente pequeno são apenas maneiras de dizer, Hilbert nos deu a versão de que ele é ilusório no sentido de totalidade infinita.

Considerando as relações com o nosso tema, a partir do campo físico, a ciência moderna emancipou-se do conceito de infinitamente pequeno, podendo para si ser admitido o salto qualitativo na natureza. Não sendo a energia divisível até o indefinido, vai, no entanto, por saltos aos quanta de energia.

Enfim, tudo ilusório e no campo da imortalidade, se podemos torná-la finita, também caimos na perplexidade da hipótese do poder-ser de alcançar o humano, certo dia, a viabilidade de soltar-se do nosso universo e chegar a outro. Em tal circunstância, a imortalidade havia de projetar-se até outro degrau e assim sucessivamente.

Ao conceber tal destino humano ainda permanecemos na relatividade não só da hereditariedade quanto da imortalidade. Porém, respeitada a finitude.

Porém observemos que o calcanhar de Aquiles, resultante do colapso da onda, permanece idêntico no trajeto da evolução humana, advinda do acaso da morte do indivíduo singular.

Há na lição clássica de von Jhering a respeito da jurisprudência conceitual que nos faz meditar e compreender a sua mudança de opinião quando já publicara seus livros memoráveis. Ao justificar-se o mestre soube distinguir a diferença entre ocupar-se a pessoa de um princípio jurídico em postura  negligente ou  sem preocupar-se com as conseqüências que possam a vir ter na prática e outra, é de ter de aplicar o mesmo princípio na vida prática.

Na hipótese do caso presente, o jovem pesquisador, possivelmente um futuro cientista, repelindo uma reflexão sobre o aditamento que assinara,  (contrato para serviço de uma empresa e de sua própria Univeridade)resolve-se decidir sobre o destino de suas conclusões técnicas pondo-as  à venda como mercadoria comum, esquecido de que aquela empresa que o pagara para pesquisa o fizera com o fito de competir no embate comercial comum no comércio de produtos. E, desse modo, logrou , escondendo ou não o fato essencial de que fizera a pesquisa de modo remunerado, vende-la aos concorrentes daquele que o contratara e lhe pagara.

Agia o prestador do serviço ao arrepio do conteúdo moral que existia soberano no cerne de seu trabalho remunerado, ao arrepio do que assinara quando escolhido pela Suplicada, uma Universidade, que não soube ou não quis usar a vigilância necessária sobre seu técnico, que culposa ou dolosamente, vendia a empresários desleais o resultado da pesquisado encomendada por empresa do mesmo ramo.

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