Paulo Mercadante: Ciência, Filosofia e Direito

Almir de Andrade: complementaridade entre ciência e filosofia

Posted in Filosofia by pmercadante on 04/07/2009

I

 Em Heidegger buscamos um dos aspectos da Metafísica, aquele que se apóia no sentido clássico que o vocábulo sugere. Ele é onto-teológica ou mais claramente é ontologia, é teologia e a lógica. É ciência dos fundamentos. Platão e os pré-socráticos ou fisiólogos, segundo Aristóteles, obedeciam ao movimento da inteligência que busca compreender o todo a partir de uma fonte originária. Na evolução do termo, percorrendo a reflexão aristotélica e a reconciliação das suas oposições internas, alcançamos o sistema hegeliano, em cujo texto a ascensão à idéia absoluta se faz por meio do processo dialético da lógica e do conceito de ser. Razão por que, voltando ao nosso início, pôde Heidegger definir a estrutura essencial da Metafísica como onto-teo-lógica. Buscando as últimas causas e princípios dos entes, a inteligência investiga o “logos” dos seres; o logo é a integibilidade.

 A Metafísica mostra-se pois, a teoria do conhecimento no sentido da crítica, enquanto enfatiza as suas implicações em sua máxima extensão e radicalidade.

 Almir de Andrade coloca-se neste ponto, mantendo a unidade tripartida, que faz da Metafísica o saber que conhece o ente enquanto ente, investigando-lhe as bases e fundamentos últimos na ordem do ser e do conhecer. A característica de sua reflexão acha-se, assim, em crítica abrangente da Metafísica fundamental.

 A substância de seu pensamento é físico-matemática, cuja estrutura não se exibe em termos de “verdade”, porém em termos de vaidade. De forma que filosoficamente, no campo da própria ciência, ela refere-se sem ênfase aos espaços de Hilbert, à geometria de Riemann e ao próprio Gödel em razão da concepção formalista da teoria dos conjuntos.

 A opção pela substância da ciência jamais significou desinteresse pela dúvida, pois esta se põe inicialmente na problemática fenomenológica de Husserl necessidade que impele a filosofia para a idéia de essência. Posta a invariância no texto vestibular do problema, cumpre considera-lo o fundo de durabilidade e permanência que se procura nas relações ou conjunto de relações que permanece, que não variam em meio à multiplicidade à outras que são variáveis. Consideradas as raízes deste conceito, Almir realçou o processo que deu nascimento à teoria das funções, pois ela é a dependência de uma variável em relação à outra. Observa-se que daí advém um instrumento da correspondência que havia parecido no conceito de número natural.

 Essas questões elementares, cuja síntese se tornou conhecida pela fórmula de y = f(x) (x chama-se variável independente, y variável dependente), haveriam de definir-se como dos mais fecundos e conhecidos conceitos. O ponto de partida de Almir nasce de tal noção, isto é, de que função é toda correspondência entre dois conjuntos de número, qualquer que seja maneira de estabelece-la. Razão por que se estende no percurso histórico da teoria a fim de chegar ao advento da noção de tensor e da análise tensorial como desenvolvimento da de vetor e da análise vetorial e, por conseguinte, ao universal triunfo da teoria da relatividade que sobre ela se apoiou.

 Nesse ponto era imprescindível ao nosso filósofo conduzir-se até a física, o que faria por meio da análise tensorial (Jesus Caraça, p. 73). A circunstância não significa opção, quando muito, a coerência da proposta metafísica de não afastar-se da ciência. Porém, invariância matemática e essência filosófica haviam de juntar-se em acontecimentos correspondentes, partidos de dois caminhos diversos.

 Almir põe-se na encruzilhada a fim de escolher a parceira da filosofia no projeto que visaria à dialética. A redução científica de tempo a espaço e a conseqüente divisão em unidade ou instantes convencionais, fora repelida por Bérgson, que dera o sinal para largada. A filosofia traçava a direção enriquecida por William James no campo da consciência. Percebia com lucidez a trajetória até Husserl e Heidegger quanto à dialética do ser em função da dialética do tempo.

 Porém a revisão demonstrada pela teoria da relatividade, ao identificar o tempo como um dos elementos básicos da estruturação do real e posto ao lados das dimensões do espaço euclidiano, com a influência maior em todas as manifestações de invariância, manteria nosso filósofo na proposta da matemática pura. A concepção adotada pois, é formalista, antes montada na teoria de Hilbert do que propriamente na perplexidade das questões físico-metafísicas.

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