Paulo Mercadante: Ciência, Filosofia e Direito

Almir de Andrade: complementaridade entre ciência e filosofia

Posted in Ciência, Filosofia by pmercadante on 11/07/2009

Parte II

Urge escapar das perplexidades. Prigogine chama a atenção em seu último trabalho – O fim das certezas – há poucos meses publicado, que Einstein perseguira o sonho de uma teoria unificada que incluísse todas as interações. E concluiu o físico-químico: talvez a realização deste sonho exigiria uma concepção evolutiva do universo. E tal teoria unificada seria então inseparável da simetria temporal ora estilhaçada do universo.

A unificação implicaria uma concepção dialética da natureza. Outra questão capciosa, a irreversibilidade do tempo. Mincowski nos convence que espaço em si mesmo e tempo em si mesmo estão condenados a desaparecer como simples fantasmas. Até esse ponto, tudo bem. Almir de Andrade não deixara passar despercebido o artifício da sua conversão da dimensão temporal em número imaginária, através da sua multiplicarão por i, ou pela –1, em conseqüência do que passava a figurar como quantidade negativa ao lado das três dimensões espaciais, que são positivas.

Para complicar a matéria, Einstein, no final da vida, passara a duvidar de sua antiga certeza o passado, o presente e o futuro fossem ilusórios. Almir estava mergulhado em seus estudos em 1949 quando Gödel publicou seu ensaio sobre o criador da teoria da relatividade, propondo-lhe um modelo cosmológico no qual era possível viajar ao passado. Einstein não se convenceu e desse tempo a sua frase famosa de que não podia acreditar que “pudesse telegrafar para o passado”. E acrescentou aos físicos o conselho de reconsiderar o problema da irreversibilidade.

O pensador escreveria então As Duas Faces do Tempo, pelo fim dos anos cinqüenta e começo dos sessenta. Dez anos mais tarde, a chamada condição de “não-localidade” instantânea na física chegaria à fase experimental por sugestão de David Bohm na trilha do paradoxo E.P.R. a fim de resolver o problema da contradição apontada por Einstein.

Perdoem-me o paradoxo, mas é necessário situarmo-nos no tempo a fim de perceber a questão da não-localidade. O tema estava ainda em discussão pelos gênios da Física. Einstein, Fermi, Pauli tinham morrido há menos de um lustro, Niels, Bohr, Dirac, Heisenberg ainda viviam, Feynman assustadamente avançava em sua trajetória no campo da Eletrodinâmica. De forma que ainda no contexto matemático Almir podia ainda crer que a interação tempo e espaço eram duas realidades indissociáveis, em qualquer palno ou sistema de relações. Porém, mantinha também o seu pé no futuro ao afirmar, como em ressalva, a constante “h” de Planck. Cumpre realçar que procurava não enredar-se na perplexidade da física dos anos cinqüenta.

Refiro-me ao paradoxo que exibiu a ruptura observada na natureza e mais ainda à circunstância do papel que se confere ao observador, o que dera à mecânica quântica o aspecto aparentemente subjetivista. Ainda, meu deus, como a introdução da instabilidade na teoria conduz a uma quebra da simetria do tempo.

Observamos, pois, que o processamento experimental e dialético da apreensão das essências antes matemático do que físico. Com apoio na dúvida cartesiana elaborada por Edmundo Husserl, sob a forma de redução fenomenológica, também ressalvada a posição idealista do pensador ao erigir o eu transcendental da consciência em supremo juiz de todo conhecimento, Almir propõe as relações expondo que “toda apreensão de essências precisa partir da busca de um fundo de constância e permanência no fluxo, cuja noção científica é conceito de invariante”.

Dessa forma alcançou o nosso saudoso filósofo o tema do ser e o tempo, a parte ontológica, ou seja, a essência e a existência. É desse momento a sua posição físico-matemática, já possível recorrer à termodinâmica, não só na invocação do princípio onda-partícula quanto pela referência à fórmula que define o número quântico, isto é, E, a quantidade de energia medida, é igual a “v”, a velocidade de sua emissão e “h” a constante de Planck.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: