Paulo Mercadante: Ciência, Filosofia e Direito

Pontes de Miranda: crítica à redução fenomenológica.

Posted in Direito, Filosofia by pmercadante on 25/07/2009

Parte
I

No capítulo dedicado a fatos do mundo e fatos do eu, em seu livro O Problema Fundamental do Conhecimento, Pontes de Miranda deu início, no Brasil, ao trabalho crítico à fenomenologia de Edmundo Husserl. A meditação neopositivista do pensador patrício contrapõe-se à do sábio e filósofo tcheco, que visava a ampliação do eidético do chamado positivismo total husserliano.

Em primeiro lugar, o pensador brasileiro não tomava em conta a evolução da teoria fenomenológica. O trabalho de E. Fink (die phänomenologische Philosophie – Edmundo Husserls in der gegerwatgen Kritik), foi escrito no mesmo período, do mesmo modo como que a obra de Theodor Celms sobre o idealismo fenomenológico, razão por que antes em Ideen e na Philosophie als strenge Wissenschaft, é que se firmou o nosso crítico para a abordagem da matéria. (Em verdade, o positivismo total de Husserl interessa ao neopositivista do ponto em que não limitando o campo do positivismo ao fático, amplia-o ao eidético, fazendo, portanto, da experiência, uma verdadeira experiência ideal).

Complementaria o enfoque de Pontes a Logische Untersuchungen, de 1900, porém, repetimos, é em Ideen que busca a intenção de Husserl de fundamentar uma Lógica pura, nela entendida a exclusão do psicologismo, circunstância que o justifica no combate.

Alguns aspectos de fenomenologia devem ser ressaltados a fim de que se compreendam os pontos fixados em toda a abordagem.

A fenomenologia assume uma atitude que visa a proporcionar à filosofia o caráter de ciência rigorosa, despindo-se de suposições ou especulações. Trata-se de seu cunho descritivo, redução do transcendente ao imanente no campo de sua fidelidade às vivências puras. Só pela descrição pura dos atos intencionais, através de seu processo redutor, pode converter-se numa ciência eidética. Por outro lado, as essências não estão limitadas ao mundo do formal, uma vez que também são essências materiais.

Pontes não alcançou, nos anos trinta, quando escreveu o seu livro sobre a teoria do conhecimento, a radicalização do processo de redução fenomenológica que se desembocaria na reflexão da consciência intencional sobre si mesma. A bibliografia, de que se socorreu, liga-se aos autores que até 1936 deram ao neopositivismo o seu grande prestígio na filosofia.

Todavia, era um período de crise da corrente. Pontes o conhecera inicialmente, pois de Hilbert leu um artigo publicado em On The Infinite e Grundlegugen, obra dos anos vinte, quando iniciara investigações acerca dos fundamentos da matemática. Quanto ao formalismo, só no decênio seguinte Hilbert o aprofunda, de modo que Pontes sofre uma influência marcante de Frege, Russel, Wittgenstein e Carnap, tendo lido ainda Kurt Gödel e Hempel, este último o grande estudioso da natureza lógico-formal da matemática.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: