Paulo Mercadante: Ciência, Filosofia e Direito

Diálogo Indispensável

Posted in Ciência, Filosofia by pmercadante on 25/11/2009

Por generosa liberalidade e extrema gentileza fui incumbido de lançar como instituição engajada nos propósitos do pioneirismo humanístico do Professor Ronald Lewinsohn, o Instituto de Filosofia e Estudos Interdisciplinares, definidos por seus membros, intelectuais que atuam em áreas múltiplas do saber, inclusivamente as energias intuitivas de grandes poetas nacionais.

As ciências puras, a antropologia, a história, a literatura ermanaram-se para o convívio, elegendo no círculos de suas autonomias o mesmo sentimento que certa feita, nos finais do Quatrocentos, se hospedou no Palazzo Vecchio florentino de Lourenço, o Magnífico.

Era a Escola Platônica que nascera em Florença no umbral da Renascença, revivendo dúvidas passadas da Escola de Tradutores, da Conferência de Tortosa, na Hispania conturbada em séculos pretéritos, quando Maimônides e Averróis procuravam identificar o sentido ecumênico da vida espiritual em meio a angústia de judeus, islâmicos e cristãos.

Marsílio Ficino, Cristóvão Landino, Ângelo Policiano, o próprio Louranço de Medicis, Piccolo de la Mirandola e tantas vezes alguns convidados, Leonardo da Vinci, Nicolau Maquiavel, inspiravam-se em Mileto, onde filósofos e geômetras deitavam as raízes para era de Aristóteles. Em sala plena de trabalhos de Donatelo, Botticelli, Guirlandaio, Cellini também se sentava, Nicolau Maquiavel, o jovem Miguel Ângelo e outros interessados nos debates que entravam pela madrugada.

As sementes do futuro foram e são lançadas por séculos e milênios. Se o destino dos Médicis esbarrou com as circunstâncias da intolerância, que importa?Galileu viria mais tarde com a tocha da scienza nuova…

Ela e a filosogia ermanaram-se por séculos seguintes com Pascal, Descartes, Newton e Leibniz, e prosseguiram no diálogo até Edmundo Husserl, Bérgson e os desbravadores como Popper, Whitehead, Bertrand Russel e Voegelin.

O avanço da Matemática pura e, em conseqüência, da Física e da Química, aparentemente produziram a separação entre as duas áreas de conhecimento, descrita na abordagem apressada de setores da crítica alemã, que chegaram a difundir como Hans Lenk, Loewith e Mc Keon, sectários de visão deformada dos problemas contemporâneos, frases inconseqüentes como, por exemplo, “considerada a totalidade da época, a filosofia tornou-se marginalizada”.

São autores de quarenta anos atrás. Paradoxalmente, quando se acentuavam diversos sintomas de crise na Física, que Prigogine define como a era final da certeza, surpresas foram suscitadas. O desenvolvimento da física do não-equilíbrio e da dinâmica dos sistemas instáveis associados à idéia do caos a tudo sacudia, forçando revisão do conceito do tempo, do modo como vinha formulado desde Galileu. Apareceram versões novas como a auto-organização e as estruturas dissipativas. Ocorrera nova configuração à irreversibilidade e outros fenômenos. Todas essas vicissitudes quebram a simetria entre o passado e o futuro, atingindo conceitos da mecânica quantia e a própria relatividade. E haja mudanças de rumo, entre as quais a ruptura da simetria temporal.

Em quadro de perplexidade crescente que naturalmente introduziram na Matemática outras turbulências, a pergunta quanto à ausência de reflexão filosófica no quadro científico passa a corresponder ao mesmo ponto de vista de alguns pensadores ao desconsiderar a necessidade de refletir sobre o estudo das ciências puras.

Não é possível separá-las, a filosofia e as ciências. Há problemas em todas as áreas a exigir nossas reflexões, até anteriores ao Descobrimento. Razão por que entre nossos confrades há quatro portugueses, Braz Teixeira, Fernando Cristóvão, Pinharanda Gomes e Abel Lacerda. São mestres de filosofia, literatura, antropologia cultural e geopolítica.

Jamais é possível excluir de nossa problemática cultura os aspectos contraditórios das transplantações da Metrópole para a sua colônia: algumas, negativas, como os preconceitos ao lucro, ao desenvolvimento econômico, frutos da Contra-Reforma; a maioria, porém, das enteléquias haveria de marcar-nos de proveitos e virtudes: o idioma comum a estruturas as províncias, ensejando a unidade política da Nação; a universalidade e a inter racionalidade Del Rei D. Diniz e de Santa Izabel, bem como a cordialidade e a mensagem humanística para o compromisso histórico de ordem e legalidade, não só imperial quanto republicano. Que importa, na verdade, as rupturas, os recuos. Sempre haverá na consciência do País as advertências de Miguel Reale e de Roberto Campos quanto ao ideal permanente do dever-ser, ou seja, a dinâmica das mudanças necessárias e oportunas.

O Programa de Estudos, de Colóquios e de outras formas de interação entre a Filosofia e as Ciências serão de relevante papel no estudo das idéias, desempenhando a aragem compreensiva sem banalidade e sem rancor, sem preconceitos ou formas dogmáticas de diálogo.

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