Paulo Mercadante: Ciência, Filosofia e Direito

A Pátria Aviltada

Posted in Política by pmercadante on 05/06/2010

O maniqueísmo põe-se doutrinariamente no dualismo clássico gnóstico do bem e do mal, assumido de modo absoluto, ou seja, como dualismo ontológico. O sistema é hoje visto com desdém, constituindo, no entanto, atitude e comportamento, fácil tentação a comprometer idéias.

Do ponto de vista político, cremos que se mostrou virulento no Século XX ao identificar, na doutrina social o primado do amicus-hosti.

O bolchevismo o inaugurou segundo a luta de classes, adotando-o o nazismo na dicotomia das raças. O Novecentos viveu-o até a queda das duas ideologias.

Apresenta-se, entretanto, no Brasil, robusta e atuante, essa espécie de religião do Mal. Há raízes históricas, como não podia deixar de havê-las, no pensamento autoritário.

O castilhismo foi corrente de difícil identificação, segundo critérios de direita e esquerda. Pregava a ditadura e dele saíram intelectuais e políticos que na prática aceitavam o sistema democrático, posto que lhe dando o sabor positivista.

Guardava Pinheiro Machado a compostura e sabia movimentar-se entre criaturas do porto de Rui Barbosa e Afonso Pena. A Getúlio Vargas deve-se atribuir certo  maquiavelismo, jamais negar-se-lhe espírito de estadista, mesmo quando partia de posições fascistas ou quando vestia  roupagem nova dos anos cinqüenta, feita por Brizola e Prestes, ambos gaúchos e social-fascistas.

Porém os tempos aviltaram o populismo com os mentecaptos que se alojaram na lama da corrupção, deixando-nos saudosos de Ferrari, de Santiago Dantas, Doutel de Andrade e outros. Sabiam domar com elegância os ímpetos de radicais e crescerem nos episódios da história.

Hoje há outro dia, agoniza a legislatura, ainda levando consigo os restos da competência mineira e baiana. Adveio a perversa animosidade contra os adversários, destilando-se como cachaça do tudo-vale e deixa para lá. Rezam os neófitos pela vulgata selvagem, situados em terreno do lixo para lá conduzidos por novos bacharéis do economicismo, que não conhecem o que é o Direito e, muito menos, a Aritmética.

A prova dos noves a temos nos discursos do Legislativo, onde, entre mais de seiscentos membros reduzem-se a dez por cento aqueles que já leram algo sobre qualquer ramo do conhecimento. Nosso consolo consiste em que o positivismo já sucumbiu há um século e o castilhismo em página virada de falso constitucionalismo. Morreram os gêmeos: o fascismo e o comunismo e ora o analfabetismo paira como borboleta entre os burocratas do novíssimo sistema.

Nada há mais envolvido pela sombria neblina do extermínio. A corrupção é o leito em busca de outro Procusto. Falta-nos o Teseu clássico, substituído pelo Carcomido que se elegeu ou  prestou concurso em qualquer botequim.

O Poder dirige a Podridão baseado na Lei que se elabora nos sindicatos de onde saem os legisladores. Ainda bem que possuímos a Polícia Federal para instituir a vistoria das cuecas onde o dinheiro furtado ou roubado se esconde com dignidade.

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