Paulo Mercadante: Ciência, Filosofia e Direito

Minhas Memórias Fugazes

Posted in Política by pmercadante on 22/06/2010

A escolha da cronologia a fim de escrever minhas memórias é imperativa pelo próprio trilho da vida, vez que estamos tecidos no espaço-tempo, ordenador que emana de nossa existência em processo determinista.

As estradas do curso natural das coisas nascem no paleolítico quando os neolíticos aperfeiçoaram-nas. A projeção de rumos e caminhos afirma-se no lento ou veloz estado para evolver lentamente até que salto qualitativo atue em nossa percepção.

Antero de Quental tomava a idéia comum como princípio do princípio, conforme depoimento de Eça de Queiroz, que conta, certa vez, vê-lo dobrar um escrito em ritmo que fazia lembrar o introibo ad altare Dei. Da mesma forma, Joyce inicia seu Ulysses quando o sacerdote curva-se no altar mor em disciplina feroz do sagrado.

Tudo isso é eterno, metódico, e Antero o define ao dizer que até na destruição a ordem é necessária. Que é a guerra senão impor-se pela disciplina e obediência aos superiores.

O nascimento submete-se à idéia de sobrevivência e certeza do fim. A morte, pois, procede do real finito. Um dia, a criatura encerra o ciclo, torna-se matéria. O abandono da vida, inclusivamente de pensar, não faz senão submergir no vazio, ou seja, o nada.

Porém há um tudo nessa entidade. Só é inteligível em relação ao ser. Nisso consiste a existência. O homem passa pela Terra e ignora quando irá partir do tudo. Eis aí o problema. Não se sabe avaliar o que se viu de aproveitável e lança-se à posteridade a indagação: a que fim passou por cá?

É o meu caso porque tenho certeza. Seguem então minhas memórias dos outros.

Hoje sei, após muitas pesquisas, que até primórdios do século XV, meus antepassados paternos eram de raízes judaicas. Quando das conversões acataram o sobrenome que vinha de suas atividades ligadas ao comércio de especiarias em navegação mediterrânea abrengentes tanto do Mar Egeu, quanto do Adriático e Tirreno.

Com as descobertas marítimas por ibéricos, deu-se o deslocamento comercial para os Países Baixos, atraíndo às atividades econômicas com o Oriente as próprias cidades espanholas onde semitas e latinos davam-se bem.Veneza e Gênova seriam os portos preferidos pelos orientais; banqueiros holandeses davam as cartas e tentavam conter os britânicos e os franceses em suas tentativas de domínio do Novo Mundo. Por motivos geográficos, Bruges seria o elo que contribuía com os seus recursos à Renascença do século XVI, sobremodo pelas cidades dos golfos de Genova e Veneza.

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